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sábado, 20 de março de 2010

.61

Quero-lhe ter, porque seu sorriso é um livro
Cujos mistérios erro para desvendar
E se os revelo, julgo-os tão bonitos
Que a nenhum outro se caberia igualar

Penso em si, eis que sua imagem da tarde,
Que inda agora veio a mim trazer alento,
Como da primeira vista tem a mesma eternidade
Qual faz-nos incólumes sobre o tempo

Tenho-lhe hoje, pois que pensar só não chegava
E procurar-lhe não é mais do que me atrevo
Quando a ânsia do meu peito só no seu se acalma

Vou consigo, porquanto tu não me farias
Numa noite desta de outono, amigo ermo
Tornar em segundos o que chamaram-se dias

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Haikai

      amiúde invade em mim

a graça eterna

      das mulheres que comi

domingo, 9 de novembro de 2008

Women lie

It is all lies!
Boys, do not believe in them, they are all lying.
Do not believe a word they saying.
Their promises do not worth a bite.

When you get quite older enough
you will be able to realize
that inside that innocent pure heart
there’s an evil preparing to bring you apart.

I do not intent to let you down.
Though, life is what it is.
And I’m not here just to please.

There are lies of love, even necessary lies,
but the lies you will hear
are not at all from that kind.

They will try to be pleasant and fine,
deceive you using oaths and charm.
Remember this now, boys: It’s all lies.

They’ll say: “You’re the one” and “if you ever go I die”,
but the sincerest face of a girl
can be really a fiend in disguise.

Yes they cannot stand to truth
and it’s really not their fault.
They’re just women, you know..
They happen to change a lot.

So consider it when I say to you
by the experience of long-lived eyes.
Do not believe in women!
The first of them taught the devil how to lie.

terça-feira, 25 de março de 2008

.38 Prospecto da paixão

Meu romance resumido
Emergiu num olhar sem pejo
Configurou-se num beijo lascivo
Energizou-se num desejo

Apoderou-se dum atrativo fulo
Explodiu na cama
E desfez-se com a tona
Do conhecimento mútuo

Enfim.. só

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

.39

Flor de hortelã
Gosto de canela
Flores
Rosas de todas as cores
Flores verdes
Ervas mais fortes do que tudo na vida
Cheiros que nos fazem lembrar
E lembrar demais
Flores em três
Flor do campo
Flor exótica
Flor branca
Que vem com um pedido de desculpa
Que vem com todos os pedidos
Que vem com o maior pedido do mundo
Flores confusas
Flores esdrúxulas
Que se contentam com pouco
Mas quando muito não se contenta
Põe-se em guerra
Põe-se a digladiar
Faz tudo morrer
Menos a semente
Plantada de um olhar
Semente univalente
Sem remédio
Que contem todos os segredos
Pra felicidade do homem
Pro destino da vida
Flor divina
Flor de pintura
A flor mais pura
Que brota a olhos confusos
Renasce sem chorar
Querendo engolir o mundo
A perfume de erva
Cheiro forte
De flor teimosa
E bem-vinda
Que perturba, que anseia
Não tem jardim
É uma flor
No meio da seca
No meio do chão
É uma flor complicada
A mais linda de todas
Ameaça despetalar-se
De tão rebelde
De tão mimada
Flor egoísta
E orgulhosa
Mas que seja egoísta e orgulhosa
Todos queremos ser
Flor girassol
Flor que anda nua
Flor de água
Água salgada do mar
Ou de rio
Quando beira a lua
Flor de Yemanjá
Flor que nunca deixou de ser
Flor de colher, e de comer
Flor do melhor sabor
Flor de melhor olor
Essa flor não sabe ser vil
Uma flor plantada nela
Essa flor queima meus navios
Essa flor é a mais bela
Uma flor desastrada
Do meu coração fez sua casa
Uma flor torta
Essa flor é uma mulher
Nunca mais desbota
Essa flor é um mal-me-quer

sábado, 2 de fevereiro de 2008

There's nobody there...

What would you think if I sang out of tune?
...
Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
...
Eu sou assim com a minha voz desafinada
...
If you think the harmony
Is a little dark and out of key,
You're correct,
There's nobody there

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Que é de Nelson Rodrigues? II

Dize-me agora!
O que há contigo?
Que vão de poesia que nada!
Estás sem abrigo?

Bocejando?
Quanta falta de poesia!
Eu te dou sono?
Deu-se a melodia!

Andaste bebendo?
De novo?
E o que leva?
O homem fiel nasceu morto!

Que é de meu alento?
Isola, minha filha!
Qualo que?
Importa a família!

Enjeta penicilina!
Te ajeita e vai dormir!
Amanha é outro dia!
E ainda estás aí?

Sossega mais coração!
Respeite o mais velho!
Ilido a discussão?
Caso sério. Caso sério.



Explicações: Meu próximo post seria sobre o Tropa de Elite, mas como nem se quer faz-se mais necessário que eu dissesse na frase anterior 'sobre o filme Tropa de Elite', decidi engavetar o texto, pelo menos até que todo o bafafá sobre o filme acabe ou que ao menos todos possamos assitir juntos quando ele estrear no bom dia das crianças, próxima sexta. Afinal, ali que estará a verdadeira película do diretor José Padilha, já que o que eu e a grande maioria assistimos, graças ao cleverboy da empresa de subtitulagem [que já tá preso], fora na verdade o terceiro corte [versão editada] do diretor. Então, vamo esperar sair de moda e depois o lerdo engano dá parecer. Ok, baby?

(..mas que o Capitão Nascimento é mau. Ah..isso ele é.. mininuu.. fico com o cu na mão só de pensar.)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O ideal seria 30 horas / Sunshine

Estou atrasado. Eu sei, mas sei também que vocês vão me perdoar [Tólios, interceda por mim]. Caraleo! Nunca tinha dado tanto virote seguido na vida..

Uma verdadeira correria contra o tempo [mesmo desempregado..ora vejam só]. Calculo em 30 horas, 30 horas seriam suficientes, se nosso bendito dia de cada dia tivesse pelo menos um quarto a mais de tempo.. eu ficaria satisfeito, acho q daria para conciliar os deveres com as cachaças e os “ficar de bobeira”.

{Ô Deus, não é muito q lhe preço, apenas faça a Terra girar mais devagar} ..Estou o oposto de Mad, o menino em férias..

Caraleo.. neste momento reparo q esta é a primeira vez que escrevo diretamente como primeira pessoa nestas linhas.. hum.. agora preocupo-me. Pq talvez os novos leitores não estejam acostumados com os meus dois pontinhos..ou minhas intermináveis auto-interrupções – quando possível cabe apresentar o exemplo junto com a afirmação* – sim, confesso, não há parênteses ou colchetes suficientes para mim, mas estou determinado a inda um dia dar fim a esse vício.

Meu encargo é grande, fiquei por último e agora tenho q fechar essa rodada..mas depois do tempo “cicluoso” graduado de vv, da incessante busca renatórica do tempo perdido, que até coaduna um pouco com oq expressei, da nostalgia de mad misturada com lúcifer entregue em uma bandeja.. não ousarei tentar fazer intermináveis elucubrações aqui deste tema que de tão vasto, é complicado demais, embora simples. E assim, como eu disse, seria interminável. Contudo, pede-se, inda assim, um grand-finale.. e para isso segue a dica de um ótimo filme, sem mais mil introduções, passo a bola temática pra István Szabó [inaugurando uma nova sessão no blog e uma nova incumbência deste lerdo-enganado]:

Queres falar do tempo..queres refletir sua complexidade enquanto se emocionas com um bom drama.. or maybe you wanna just spend some good time? Então que assista a Sunshine ou “Sunshine – O despertar de um século”. E pq deveria? Pq quando terminares de assistir ao filme, mesmo passadas 3 horas inteiras, lamentarás q não tenha mais 3 horas.. ou perguntarás se não tem uma seqüência ou talvez sentirás vontade de “rebobinar” o DVD para reassitir. István Szabó conta a história de três gerações da família judaica húngara Sonnenscheins, passadas num dos séculos – se não o – mais turbulentos da História. Um épico, praticamente, conduzido pelo espirituoso narrador Ivan, que começa falando de seu tataravô, inventor dum tônico fortificante, cuja receita, conservada pelo filho, trará a prosperidade para q o primeiro personagem de Ralph Fiennes, Ignatz, consiga se tornar um juiz do império austro-húngaro, e, contrariando as tradições familiares, casar-se com sua irmã-adotiva Valerie, pela qual tb está apaixonado o seu irmão comunista. Ignatz tem dois filhos com Valerie, mas não os vê crescerem, pois se afasta por ocasião da primeira guerra mundial. Um deles é Adam, que se tornará exímio lutador de esgrima e herói nacional nas olimpíadas sitiada na Alemanha nazista [aqui nesta geração está uma das melhores cenas, quando Adam conquista a mulher com quem se casará]. Mesmo assim, o legado de amor proibido não terminará, [...]. Havia texto ali, mas o suprimi para não ficar contando (demais) a história do filme. Depois de passar pelo campo de concentração com seu pai, Ivan (terceira geração) entra para a polícia comunista para tentar caçar os fascistas e se vingar, no entanto, se envolve com outro amor proibido da história, no que descobre as farsas e ilusões da política, as quais parecem ser somente percebidas por Valerie, que, interessantemente, ficará como patriarca da família.

Enfim, é um filme detalhista, que fala sobre política, história, amores, preconceito, família e algo mais. Possui um visual belo, e mesmo as cenas mais lúgubres e fortes dão uma ótima fotografia. Alguns o criticam como um filme que peca por excesso de informação, no entanto, eu julgo que elas são necessárias para que as histórias sejam contadas na medida de seu peso. Uma ótima oportunidade para ver do que o tempo é capaz. Bom, não querendo mais me delongar, digo apenas q este figura na minha lista dos top10 e, é claro, aquele velho, recomendo.

[Sunshine, 1999, co-produção Áustria/ Canada/ Alemanha/ Hungria, Inglês, 179 min]

(*) Schopenhauer

(P.N.P.O.C.P.S.P.P.R.F.P:)

Não preciso do óbvio

Não insisto no ócio

Toda hora é tempo

E meu tempo

Lento

terça-feira, 31 de julho de 2007

*

Insone, eu velo
A madrugada em meu exílio
Aos amigos que esmero
Está confiado o meu abrigo

Nesta terra, palmeiras-arranha-céu
Encontro não tão amiúde
Mais me fazem lembrar
Da saudade, maior que pude

De súbito, um heartburn
A solidão veio trazer
Sem dizer a que parte, mas
Manda abraços a quem ler

À mesa da copa, tanto me sobra
Uma vastidão que logo alcança
A falta que me fazem
Os cafés da mesa redonda

Tenho em mim a agonia
De quem espera pelo óbvio
E deste nada sei
Não é ouro, nem paz; ignoro.

Instaurou em mim esse poema
O velho sabiá dos Dias
Velo por meu povo; me aguarde
Minha vitória da conquista


* Minha vez de parodiar Gonçalves Dias

domingo, 8 de julho de 2007

.20

É isso.. e continua
É porque transformar-se-ão
As coisas, minhas e tuas;
E algo se cria?
Nada não.
Lei da física
Da vida mortal
Regra do jogo de amar
Para tal
Observa-nos
Este exemplo vês cá
De prolegómenos
Não necessita
O laço da infra, supra
Ante e pós posta amizade
Já tudo se adita
Cada qual com seu rabisco
Sua cor de purpurina
Fulgurando nossos caminhos
Um sentido, que não de repente
Chega indolente,
Quase uma miragem
Em..? Lerdo engano
Há nenhum, nem deve ter
Deixa o porquê pra viagem
Pra eu dizer,
Felicito-me
Valei-me, meus caros,
Los míos
Salve nonsense, que tudo se desnuda
E continua..
É isso.